terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mas eu não sou fantasma, minha senhora!


Em meio a mais um dia de plantão de 24 horas, durante o período da madrugada, uma senhora franzina e educada chegou na Delegacia perguntando se podíamos ajudá-la. Solícito como sempre devo e busco ser, respondi a indagação da mulher: “- É claro, o que posso fazer pela senhora?”. E ela descarregou em palavras toda a situação de brigas, confusões e desentendimentos que tinha com o marido que bebia demais... E mais uma vez ouvi a corriqueira história de mulheres que sofrem e apanham de seus maridos e companheiros. Nesse momento deixo elas desabafarem, sei que assim já se sentem melhor e elas, mulheres, falam, falam, falam (o dicionário amazonês aconselha a repetir uma palavra três vezes para frisar algo que dissemos...).

Depois de falar, falar, falar eu expliquei o que, enquanto policial, eu poderia fazer: faríamos o registro através do Boletim de Ocorrência; o escrivão abriria o inquérito, pegaria seu depoimento e já pediria uma Medida Protetiva para o Juiz; encaminharíamos ela pra fazer exame de corpo de delito, devido ao espancamento e por fim, prenderíamos o marido, que ficaria na Delegacia aguardando decisão judicial. Na hora em que finalizei os procedimentos com a bendita frase “prenderíamos o marido, que ficaria na Delegacia aguardando decisão judicial”, a mulher deu um pulo com os olhos arregalados e bradou “- Não, seu policial, prender meu marido não! Eu só queria que vocês dessem um susto nele”. Indignado, como costumo ficar nessas situações em que vejo mulheres se sujeitando a violência doméstica, não resisti e respondi “- Mas eu sou policial, não sou fantasma, minha senhora!”. Ela se mandou e nunca mais a vi.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Começamos!



Nesse novo espaço vou dividir o cotidiano policial, as angústias, conquistas e histórias desse universo que muitos desconhecem. Vamos curtir!